A atopia é a suscetibilidade de um indivíduo em apresentar sinais clínicos depois do contato com alergênicos, geralmente inofensivos ao restante da população.
Ela ocorre em função de uma produção elevada de proteínas chamadas de imunoglobinas, sintetizadas ao primeiro contato com alergênico.
Portanto é uma tendência hereditária a desenvolver anticorpos IgE a alérgenos ambientais (pólens de gramíneas, árvores ou ervas, agentes epidérmicos, insetos ou ácaros).
Essa exposição pode desencadear sintomas respiratórios, digestivos, oculares ou dermatológicos, como asma, rinite alérgica e, principalmente, manifestações cutâneas (Scott, 1995; Reedy et al., 1997; White, 2002; CCM Saúde, 2017).
Em síntese: a atopia é uma doença alérgica crônica, de origem genética e incurável.
- Atualmente acomete a pele de mais de 30% dos cães que vivem em centros urbanos.
- O animal atópico (cão/gato) apresenta uma falha na função de barreira protetora da pele, que predispõe a perda de água, o que torna a pele do cão atópico mais ressecada, facilitando a entrada de agentes alérgenos ambientais.
- A pele do animal atópico é programada geneticamente para ser muito reativa frente a qualquer substância.
- O sinal mais comum que identifica atopia em um animal é a coceira. Muitas vezes o grau de coceira é bem intenso e inclui desde lambedura de patas até a mordedura da pele e pelagem. A maioria dos cães com atopia apresentam coceira diurna e noturna.
- O principal perfil do animal com atopia é o cão de raça pura de pequeno porte e que vive em apartamento.
- A atopia promove condições ideais para um crescimento exacerbado de germes comuns na flora da pele canina, como bactérias e fungos, estes são também conhecidos como super antígenos, que tendem a complicar ainda mais a inflamação da pele e geram por sua vez mais coceira.
- Os primeiros sinais podem aparecer a partir da adolescência, mas a maioria dos animais atópicos apresentam os primeiros sinais entre 1-3 anos de vida.
- Outros sintomas da atopia incluem: vermelhidão da pele, descamação, queda de pelo escurecimento da pelagem e cheiro forte.
- Animais atópicos desenvolvem também lesões de eritema (coloração avermelhada da pele ocasionada por vasodilatação capilar, secundário a inflamação da pele) e liquenificação (espessamento da pele com acentuação dos sulcos, em decorrência do ato de coçar persistentemente).
- A atopia pode acarretar lesões no corpo todo, mas as regiões mais comumente acometidas são: patas, axilas, virilhas, flexuras, orelhas, perianal e periocular.
- Também muitos outros fatores podem complicar e perpetuar a atopia, como:
– picada de insetos (pulgas, carrapatos, formigas, pernilongos).
– aeroalérgenos (alérgenos inalantes: pólen, poeira, ácaros, fumaça de cigarro).
– trofoalérgenos (proteínas da dieta)
– endócrinos (hormônios)
– obesidade
– manejo (banhos inadequados, produtos mal indicados)
– piodermites (infecções bacterianas)
– dermatofitoses (infecções fúngicas)
– comportamentais (ansiedade)
- Conviver com um animal atópico não é fácil e o tratamento exige muita dedicação do proprietário e do veterinário.
- Cada animal desenvolve e reage de formas bem diversa a exposição de alérgenos e ao tratamento. Por isso, é importante ter a consciência que animais atópicos e tutores de animais atópicos precisam aprender a conviver com essa doença , que não tem cura.
- O tratamento da atopia pode ser divido em tratamento de ataque a fim de combater crises e tratamento preventivo.
- O tratamento da atopia deve ser feito por veterinário dermatologista, assim o animal atópico pode ter uma boa qualidade de vida e saúde.
- O tratamento somente terá resultado efetivo com a participação do tutor junto a orientação do veterinário, para cumprir a prescrição e medidas adotadas para que num curto espaço de tempo possa ter um resultado significativo.
- E apesar de não ter cura, animais atópicos podem ter uma vida saudável com o controle das crises e tratamento adequado e o papel do tutor tem grande importância para isso!

